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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Entrevista do Pregador Luo

Pregador Luo fecha 1º grande contrato, mas quer distância do business da fé
Renata Nogueira
Do UOL, em São Paulo 20/11/2015
Pregador Luo é o nome por trás do rapper da zona sul de São Paulo Luciano dos Santos Souza. "O pregador tem que escolher escolher uma ideologia e levar aquilo adiante. É o que eu tenho tentado fazer com o cristianismo através do hip hop", explica.

A consequência é um público de 5 milhões de seguidores no Facebook e que nos últimos anos comprou mais de 1 milhão de discos produzidos de forma independente.

Em entrevista ao UOL, o artista não poupou críticas aos que chama de comerciantes da fé. Para fugir desta imagem, ele não divulga a igreja que frequenta.

"O mercado da fé está começando a ser visto como um business do mais lucrativo e isso afasta as pessoas do real significado do evangelho", justifica. "Eu me recuso a fazer parte disso e se alguém quiser me censurar em eventos não tem problema, porque isso já acontece."

Consciência Negra e racismo

Ao menos duas das faixas de "Governe" citam explicitamente casos de racismo. Em "Derrubando Muralhas" Luo canta "nem preconceito, nem racismo, nem inveja, nada me para". Já em "Rolê da Consciência", o rapper aborda diversos temas atuais como maioridade penal, violência contra a mulher e linchamento. E o racismo também está lá.  "Seu salário é menor só porque é negão".

Luo vê os casos recentes como o da atriz Taís Araújo como situações plantadas para tirar a atenção do real problema que o negro comum vive. "Não que a gente não deva levar em consideração, mas não estamos falando de um negro comum que sofre vários outros tipos de racismo e ninguém liga. Aconteceu com alguém famoso que é negro, é racismo. Agora se a pessoa não é famosa, não tem boa condição social, acaba passando batido".

Ele defende a reflexão sobre a Consciência Negra como importante, mas não primordial. " Essa não é uma data para comemorar. É uma data de luto. Se a gente ficar só falando sobre (racismo), não vamos chegar a lugar nenhum. A música é só um meio de chamar atenção para que a gente possa debater os problemas", reflete.

A fama

Agora dono de um grande contrato, Pregador Luo tem pavor de virar celebridade. "Eu não suscito isso. E parece que o mercado gosta de fazer isso com as pessoas para que elas fiquem cada vez mais alienadas e pensem que o artista é um 'deus'. Eu tenho medo disso. Isso não é admiração, é histeria".

O desejo do músico com seu 15º disco da carreira é deixar um legado, sem necessariamente gravar seu nome. "Quando você é alçado a mito as pessoas não sabem mais o que é verdade, o que não é e aí você passa a ser respeitado não pelo o que de fato você é, mas pelo o que as pessoas idealizam de você", finaliza.