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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Trombetas Parte 3


O Propósito da Trombeta na Bíblia
Dentre os propósitos da trombeta na Bíblia, pode-se destacar o sinal usado para levantar o acampamento do Tabernáculo durante a peregrinação no deserto – “Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te servirão para a convocação da congregação, e para a partida dos arraiais.” (Nm10:1-2).

Bem como o sinal para a preparação para a guerra: “E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime, também tocareis as trombetas retinindo, e perante o SENHOR vosso Deus haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos.” (Nm.10:9; Jz.3:27; ISm.13:3-4).

Também tinha por função marcar o início do mês, com a chegada da Lua Nova, o Ano Novo e as Festas Bíblicas: “Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o SENHOR vosso Deus” (Nm.10:10).

O shofar também era tocado no ano de Jubileu (Yovel), anunciando a libertação da escravidão e da penúria: “Então no mês sétimo, aos dez do mês, farás passar a trombeta do jubileu; no dia da expiação fareis passar a trombeta por toda a vossa terra, E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família.” (Lv.25:9-10).

Por fim, tinha por propósito, além das funções já citadas, convocar reuniões solenes, como a Coroação Real: “E Zadoque, o sacerdote, com Natã, o profeta, ali o ungirão rei sobre Israel; então tocareis a trombeta, e direis: Viva o rei Salomão!” (1Rs.1:34).

Os Toques do Shofar
O mandamento da festividade é: escutar o toque do Shofar (Lv.23:24). Pela manhã, nos dois dias de comemoração da festa na Sinagoga, durante a cerimonia de Mussaf (que significa “acréscimo” e se refere ao sacrifício adicional que era feito no Templo de Jerusalém na época bíblica, em dias especiais [Nm.29:1-6]) um integrante treinado da comunidade efetua 100 toques no shofar, que ecoam por todo o ambiente, alcançando todos os ouvintes – próximos ou distantes.

Os toques do shofar na festa são três: o primeiro é chamado de Tekiá, um toque uníssono prolongado de aproximadamente cinco segundos; o segundo de Shevarim, três toques consecutivos de aproximadamente um segundo cada, com intervalos muito curtos, sendo todos os três toques feitos numa mesma respiração; e o terceiro de Teruá, uma sequência de toques muito curtos (entre nove e quinze toques) executados dentro de uma só respiração.

 A Mudança do Nome
Depois da destruição do Templo de Jerusalém, a Festa das Trombetas passou a ser chamada de Rosh HaShaná, que literalmente significa Cabeça do Ano, mas é comumente chamada de o Ano Novo Judaico. A primeira referência escrita deste nome está na Mishná  (no tratado de Rosh Hashaná).

Rosh HaShaná, segundo a tradição rabínica, comemora o dia da criação do mundo, em especial do primeiro homem – “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento” (Gn.1:29). Contudo, o Midrash traz ao homem a seguinte lembrança: “Não fique orgulhoso de si mesmo; até um inseto foi criado antes de você!”.

O limiar do começo de um novo ano deve trazer uma reflexão pessoal e disposição para o arrependimento através da correção de maus feitos e a prática de orações de confissão, visto a proximidade do juízo divino.

 Ano Novo no sétimo mês?
Por que o ano novo judaico se dá no sétimo mês do calendário bíblico? A razão está no fato do Senhor Deus ter instituído o mês de Nisã como o princípio dos anos para Israel, por ocasião da Páscoa e, consequentemente, a libertação dos hebreus da escravidão do Egito (Êx.12:1-2).

Os sábios judeus, depois do ano 70 d.C., estabeleceram o mês de Nisã como o início do ano religioso e o primeiro de Tishrei como o início do ano cívico de Israel, com a marcação da lua nova iniciando o ciclo anual.

As Práticas de Rosh HaShaná
Entre as práticas religiosas de Rosh HaShaná está Selichot (desculpas), uma série de poemas e versículos bíblicos onde constam pedidos de desculpas pelos pecados condenados pela Torá. Também realiza-se o ritual de Hatarat Nedarim (anulação das promessas), realizado na véspera de Rosh Hashaná – o judeu piedoso faz uma confissão de promessas feitas que infelizmente não puderam ser cumpridas ao longo do ano diante de três testemunhas, afim de que elas anulem, em nome da comunidade, as promessas feitas e não cumpridas, com o objetivo de permitir às pessoas que comecem o novo ano sem dívidas diante de Deus.

Pratos Típicos de Rosh HaShaná
Pratos típicos, de Rosh HaShaná: Chalá (pão redondo); frutas da estação: romãs e/ou as deliciosas tâmaras; e a tradicional maçã com mel. O prato principal é peixe, com rosh sher dag (cabeça de peixe), e/ou cabeça de carneiro – ambas simbolizando o começo (cabeça) do ano.

A Saudação

A saudação tradicional é: Shaná Tová – “Tenha um bom ano” -, que é a forma abreviada de LeShaná Tová Tikatêvu VeTechatêmu – “Que você seja inscrito e selado (no Livro da Vida) para um ano bom”. Para um ano novo e doce, Shaná Tová Umetuká.

A Representação Profética da Festa das Trombetas
A Festa das trombetas representa o arrebatamento da Igreja: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu (…) e com a trombeta de Deus (…) Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts.4:16-17). Aguardamos a última trombeta: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co.15:52).

Representa, também, o juízo de Deus sobre a humanidade (Ap.6-19): “E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas (…) E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte” (Ap.8:2,7a).

Remete, igualmente, à Segunda Vinda do Messias. De acordo com o Rabino Chanina Ben Dossa, o grande shofar será tocado quando os judeus exilados forem reunidos de todos os cantos da terra, conforme está escrito na décima leitura na Amidá. O que nos leva a Mateus 24:30-31: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem (…) E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.

A Festa das Trombetas é um chamado aos judeus para se prepararem para o grande encontro com o Senhor Deus, Rei e Juiz do Universo: “Prepara-te, ó Israel, para encontrares com o teu Deus” (Amós 4:12).

Trombetas Parte 2


O Shofar – A Trombeta
O shofar, ao contrário do que alguns pensam, não é um instrumento musical na concepção da palavra, pois não possui um som harmonioso, embora assemelhe-se um pouco à trombeta como nós conhecemos. Contudo, não é esse o seu propósito. A razão do shofar é mais profunda, é um chamado estridente e agudo para o arrependimento a todos aqueles que reconhecem o seu toque.

O chifre de carneiro (Shofar) está intimamente ligado a Israel devido ao fato de ter sido um carneiro o substituto de Isaque no Monte do Senhor, chamado Moriá: “Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho” (Gn.22:13).

Trombetas parte 1


Shofarot, que significa em hebraico Trombetas é uma das sete festas solenes dadas pelo Senhor a Israel – “Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação” (Lv.23:4) -, sendo comemorada, pelo calendário bíblico, no primeiro dia do sétimo mês, chamado de Tishrei, correspondente a Setembro/Outubro de nosso calendário. O dia da comemoração de Shofarot se torna Shabat, dia no qual o trabalho é proibido: “Nenhum trabalho servil fareis” (Lv.23:25a). Para os nossos dias, seria como um feriado.

Após o exílio na Babilônia, a celebração passou a ser observada durante os dois primeiros dias do mês de Tishrei, pensando no alcance das comunidades judaicas da Galut (dispersão dos judeus por todo o mundo = Diáspora Judaica). Lembrando que o dia da festa começa no pôr do sol do dia anterior e segue até o anoitecer do dia posterior.

No período bíblico, isto é, enquanto existia o templo judaico em Jerusalém, a Festa de Shofarot iniciava a terceira peregrinação do israelita a Jerusalém para celebrar ao Deus de seus pais com sacrifícios e ofertas pacíficas ao som do shofar (Nm.29:1-6). Portanto, Shofarot começa o último ciclo das festas anuais do povo de Deus, as festa de de Outono. Em sequência a Shofarot, dez dias depois temos o Yom Kipur (Dia do Perdão) e Sucot (Festa dos Tabernáculos).

Shofarot, posteriormente chamado Rosh HaShaná, marca o começo de um novo ano cívico para Israel. Nos dias 10 e 11 de Setembro de 2018 a comunidade judaica estará comemorando o início do ano 5779.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Justificação

A justificação acha-se ligada a importantíssima questão de se saber como pode o homem ser justo para com Deus? Por três vezes se faz uma tal pergunta no Livro de Jó (4.17 - 9.2 - 25.4 - cp com 15.14). Sinceros israelitas sentiram a opressão da idéia (Sl 143.2 - Mq 6.6).

Em todo o ritual mosaico esse sentimento se manifesta, bem como no ritual e cerimonial do paganismo. o primeiro lugar da Bíblia, onde se sugere a verdadeira solução do problema, encontra-se em Gn 15.1 a 6, pois aí, pela primeira vez, se fala da justiça e da crença. A palavra de Deus, se diz no vers. 1, veio a Abraão, porque foi grande a confiança deste na revelação divina, sendo a justiça a conseqüência. Esta passagem é, em alguns casos a chave para as diversas referências que em outros lugares da Bíblia as encontram com respeito à justiça e fé. A mesma idéia da justificação pela confiança em Deus se apresenta em Sl 32.1,2 e Hc 2.4 - mas de um modo mais claro se acha a doutrina da justificação nas páginas do Novo Testamento. A justificação diz particularmente respeito à nossa verdadeira relação com Deus, não se tendo em vista a condição espiritual, mas a situação judicial. Esta verdadeira comunhão com Deus foi comprometida pelo pecado, de que resultou a culpa, a condenação e a separação. A justificação compreende o ressurgimento dessa comunhão, sendo removida a condenação pelo perdão, a culpa pela justiça, e a separação pela boa vontade. A justificação significa realmente a reintegração do homem, na sua verdadeira relação com Deus. É, então, considerado como justo, aceito perante Deus como reto com respeito à lei divina, sendo, portanto, restaurada a sua primitiva posição. E deste modo a justificação é muito mais do que o perdão, embora o perdão seja, necessariamente, uma parte da justificação. As duas idéias se acham distintas em At 13.38,39. o perdão é apenas negativo, sendo dado para ser removida a condenação, ao passo que a justificação é também positiva, trazendo a remoção da culpa e a concessão das boas relações com Deus. o perdão é apenas um ato de misericórdia divina, repetindo-se esse ato sucessivamente por toda a nossa vida cristã. A justificação é completa, nunca é repetida, e abrange o passado, presente e futuro da nossa vida. Quem já se banhou (justificação), não necessita de lavar senão os pés (perdão) (Jo 13.10). Também a justificação se deve distinguir da santificação, que geralmente se compreende na significação de ser feito santo. Ainda que justificação e santificação sejam estados inseparáveis na experiência da vida, devem, contudo, claramente distinguir-se no pensamento. A justificação diz respeito à nossa situação espiritual - e a santificação à nossa espiritual condição. Aquela está em conexão com o nosso estado para com Deus, e esta com o amor que Lhe devemos: uma trata da nossa aceitação, a outra da nossa qualidade de aceitáveis - uma é o fundamento da paz, Cristo por nós - a outra é o fundamento da nossa pureza, Cristo em nós. A base da nossa justificação é a obra redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21). Por meio dele todo o que crê é justificado (At 13.39). Por conseqüência, é pela obra de Cristo, e não pelas nossa próprias obras ou méritos, que nós somos justificados. o homem tem sempre procurado estabelecer a sua própria justiça, mas o mau êxito tem sido o resultado, em todos os tempos, pois é manifesta a sua incapacidade, tanto para apagar o passado, como para garantir o futuro. Pela graça sois salvos,... e isto não vem ... de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). A justificação é alcançada pela fé. Todo o que crê é justificado (At 13.39) - Justificados, pois, mediante a fé (Rm 5.1). A confiança faz sempre supor que dependemos de alguém que nos está superior - é o reconhecimento da nossa própria incapacidade, e do poder de algum outro ser. A fé une-nos a Cristo, e essa união é a única resposta que se pode dar à revelação de Deus. É a renúncia de nós próprios, e a crença no Salvador. Descansamos em Jesus os nossos corações e aceitamos a Sua perfeita justiça. A grande verdade da justificação, pela fé em Cristo, é de supremo valor para a vida espiritual e serviço de Deus. Ela é a base da paz espiritual (Rm 5.1). É o fundamento da liberdade espiritual, ficando nós livres da escravidão do pecado, e sendo assim levados à própria presença de Deus. É a garantia da santidade, porque traz aos nossos corações o poder do Espírito Santo. É, também, a inspiração de toda a obra boa, visto como a alma, livre de toda a ansiedade a respeito da sua salvação, fica livre para trabalhar na salvação dos outros. Não há contradição entre S. Paulo e S. Tiago sobre esta doutrina da justificação, embora ambas as epístolas se refiram a Abraão para exemplo. Paulo, em Rm 4, trata de Abraão a respeito do que está descrito em Gn 15 - Tiago trata do mesmo patriarca, em relação ao fato narrado no cap. 22 do mesmo livro, o que aconteceu vinte e cinco anos depois. Mas durante este espaço de tempo foi Abraão um homem justificado pela fé (Gn 15.6), e quando chegou o tempo da grande prova (Gn 22), manifestou, então, a sua fé pelas obras. Quando Paulo escreveu teve em vista os não-cristãos, e faz uso do cap. 15 de Gn para provar a necessidade da fé, e mostrar que obras são as que vêm da fé. Tiago, porém, dirige-se aos cristãos, e usa o cap. 22 de Gn para provar as necessidades das obras, e fazer ver que a fé deve ser provada pelas obras. Paulo está tratando o assunto do ponto de vista legalístico, e contra todo o mérito humano - Tiago discorre com espirito antinômico e contra a simples ortodoxia intelectual. Um faz realçar a base da justificação, o outro a prova. Como diz Arnot, Paulo e Tiago não são dois soldados de exércitos diferentes, combatendo um contra o outro, mas sim dois combatentes do mesmo exército, lutando, costa com costa, contra inimigos que vêm de direções opostas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

João Batista


João Batista veio anunciar a boa-nova da vinda do Messias aos que andavam por estradas irregulares e paisagens estéreis. Repetindo as palavras de Isaías, ele instou multidões curiosas: “…Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Lucas 3:4,5;

Isaías 40:3).

João sabia que, para o povo de Jerusalém ter condição de acolher seu muito aguardado Messias, seus corações precisavam mudar. Montanhas de orgulho religioso tinham de vir abaixo. Quem estava no vale de desespero por sua vida doente tinha de ser levantado.

Nada disso podia ser feito por puro esforço humano. Os que se recusaram a responder ao Espírito de Deus aceitando o batismo de arrependimento de João falharam em não reconhecer o seu Messias quando Ele veio (Lucas 7:29,30). Porém, os que viram que necessitavam mudar descobriram em Jesus a bondade e o milagre de Deus. — Mart De Haan